Educação Ambiental: uma necessidade face às novas demandas das sociedades amazônicas e globais*.



Antonio Orlando Ferreira de Castro**
Patrícia Gonçalves

 

Resumo: A crise ambiental que ganha destaque a partir da década de 1970 é muito mais que ecológica, várias determinantes influenciam na sua existência, a exemplo das questões econômicas, sociais e políticas, ela está atrelada ao atual modelo de desenvolvimento capitalista. O debate ganha força através das conferências sobre o meio ambiente, vários avanços ocorreram como a criação de leis e planos ambientais. No Brasil essa questão ganha força a partir da década de1990, com a Rio 92. No meio dessa crise surge a necessidade de uma educação ambiental escolar, voltada para a transformação dessa realidade e descomprometida de uma educação conservadora, mas sim emancipatória, revolucionária, democrática, participativa, voltada para o diálogo entre as mais diversas sociedades, em especial a Amazônica, nossa casa, que desperta, hoje, mais do que nunca, a cobiça internacional.

Palavras-chave: crise ambiental, desenvolvimento, conferências, educação, ambiente e Amazônia.

     A crise ambiental que ganha destaque a partir da década de 1970, ainda ecoa muito forte neste início de século. Para BOFF (1998), essa crise é reflexo do paradigma atual de desenvolvimento, baseado em relações capitalistas de exploração, para LIMA (2002), essa crise é civilizatória, resultado do fracasso de nossa civilização neste planeta. Porém, a crise ambiental possue várias determinantes, tais como: nível de desenvolvimento humano, grau de inserção tecnológica, disponibilidade de recursos, demanda de consumo, disputa de/por poder entre nações e empresas, desigualdade social, o advento de velhas e novas tecnologias, entre outras.

* Artigo apresentado como avaliação final da Disciplina , ministrada pela professora Drª Maria de Jesus Conceição F. Fonseca.
** Alunos do Curso de Especialização em Educação Ambiental Escolar da Turma de 2007.

                               Esta crise é muito mais que ecológica, tendo uma dimensão social e econômica, pois o ambiente é complexo, e seu foco é o desenvolvimento, por isso, pensar a crise, é pensar o modelo de desenvolvimento capitalista em todas as suas esferas. Esse modelo não se sustenta, pois ele concentra renda e riqueza nas mãos de poucos, sendo assim, qualquer que for a lei e o plano ambiental, baseado em relações capitalista, irá fracassar.
     O plano de desenvolvimento sustentável criado pelas nações unidas, segundo BOFF (1998), “permanece ainda prisioneiro do desenvolvimento/crescimento” (p.96), não deixando sua razão econômica de gerar mercadoria, acumulação e inovação tecnológica, identificando a pobreza como geradora da degradação ambiental, assim, combatendo a pobreza iria-se diminuir a poluição, para isso, era preciso aumentar o progresso econômico, garantindo o “equilíbrio” ambiental. Essa ideologia tem sido defendida pelos organismos supranacionais, representantes dos atores hegemônicos, mas muito criticada pelos críticos reformistas, que afirmam que as nações mais desenvolvidas tecnologicamente são as que mais poluem o meio ambiente, devastando suas florestas, que hoje se limitam a parques e reservas, poluindo o ar, rios e lençóis freáticos, além de transferirem suas empresas pesadas e poluidoras para países periféricos. A própria concorrência acirrada entre os países hegemônicos e a luta pelos não-hegemônicos em ganharem o seu espaço no mercado mundial vem aumentando a degradação ambiental, vide o desenrolar do protocolo de Kyoto.
     A origem dessa crise está na revolução industrial do século XVIII, inspirada na ideologia do progresso, na racionalidade capitalista que se consolidava, no neocolonialismo, que contribui para o imperialismo das nações hegemônicas, tendo como conseqüência as duas grandes guerras e o episódio nuclear. Esses acontecimentos colocaram em “xeque” o equilíbrio do planeta e a existência de todo o tipo de vida.
     Esses fatos irão estimular o debate sobre o meio ambiente, através de conferências, que sobre múltiplos aspectos, irão nortear as políticas públicas em nível local e global, demarcando, através de leis e planos um caráter interdisciplinar, criativo, ético e transformador da realidade social vivida, que, muita das vezes, esses princípios, não são respeitados pelos países ricos. Destacando o pioneirismo das conferências ambientais, como a de Estocolmo (1972), Tibilisi (1977), Rio de Janeiro (1992), Kyoto (1997), Johannesburgo (2002), entre outras conferências, congressos e seminários.
     No Brasil, a educação ambiental se institucionaliza em 1973 com a criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), avançando com a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), em 1981, e da Constituição Federal de 1988, que no seu artigo 225, inciso VI, que define a Educação Ambiental como atividade de preservação do meio ambiente em todos os níveis de ensino e da conscientização pública da preservação do meio ambiente, limitando a questão ambiental a uma questão de comportamento, não desvendando a realidade, não identificando suas raízes ideológica, política ou cultural. Em 1997, o meio ambiente enquadra-se, através dos PCN’s – Parâmetros Curriculares Nacionais, como tema transversal, junto com outros temas na política escolar brasileira. Em 1997, na I conferência de educação ambiental, em Brasília, é criada a “carta de Brasília para a educação ambiental”. Em 1999, é criado o ProNEA – Programa Nacional de Educação Ambiental, e a partir de 2000, a educação ambiental ingressa os planos plurianuais do governo federal.
     No meio desse contexto de crise surge a discussão da necessidade de uma educação ambiental. Porém, a educação ambiental por si só, não muda a realidade, devendo está articulada ao macrosistema social, ao direito, a política e a economia, pois seu processo educativo não é neutro, sendo um sistema de valores e subjetividades.
     Mas qual educação deve ser trabalhada? O conceito de educação varia com o tipo de sociedade, com o método de ensino e sua concepção político-ideológica. Historicamente a educação foi trabalhada como um produto, onde educar era alimentar o aluno de informações pré-definidas, mas recentemente, o desenvolvimento de individualidades é trabalhado pela escola nova, buscando estimular potencialidades. Outro conceito, mais global, tenta dialogar o processo indivíduo e sociedade na formação do educando.
     Sendo assim, como pensar o ambiente no processo educativo? Existem, também, várias representações de ambiente, desde o ambiente como apenas o meio natural, dissociado do homem, como estoque de recursos naturais a serem utilizados pelo homem, como um problema, através da sua degradação, numa visão ecológica, para compreender as leis da natureza e sua limitações, como meio onde a vida se estabelece, ou numa visão holística, num primeiro momento, entendo a relação homem-mundo, ou numa relação transformadora da sociedade, num ambiente pautado na justiça e na solidariedade.
     A partir disso, a educação ambiental deve ser formulada, encima do diálogo, das leis, da sociedade democrática e solidária, baseado na inter-relação entre educação, ambiente e sociedade nas suas mais diversas escalas, local, nacional, regional e mundial. Destacando o seu caráter político, ético, criativo, transformação e emancipatório, desmistificando o conservadorismo dinâmico, que é paltado em velhas formas de educação ambiental, não conscientizando o ser humano de suas reais necessidades, da importância de sua iniciativa.
     A crise ambiental, para nós, amazônidas ganha uma relevância especial, na medida em que a região ganha importância, sendo um o principal berço de biodiversidade e sociodiversidade do planeta, uma riqueza que transcende a sua superfície, através de recursos minerais, água potável, etc., principalmente por que nas últimas décadas  vem passando por um processo de degradação, resultado da expansão madeireira, agropecuária e mineral, baseado na racionalidade capitalista. Para as sociedades do planeta, é preciso levar em consideração suas especificidades locais, como o ambiente, economia, cultura. Partindo de princípios, já levantados neste ensaio, taís como: democracia participativa, ética, cidadania entre outros valores como respeito, conscientização e valorização do meio ambiente.Pois, assim podemos desvendar o futuro, temeroso até agora, da questão ambiental, e só através da educação ambiental, desvencilhada das relações de poder capitalista, poderemos caminhar de forma sustentável para um ambiente sadio e de todos.

                          

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

BOFF, Leonardo. Ecologia, Grito da Terra, Grito dos Pobres. Rio de Janeiro. Sextante, 2004.
LIMA, Gustavo. Crise Ambiental, Educação e Cidadania: os desafios da sustentabilidade. In: LOUREIRO, Carlos Frederico B (org). Educação Ambiental: repensando o espaço da cidadania. São Paulo: Cortez, 2002.
BRASIL. Constituição Federal, 1988.


 
 
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