Serão dois tipos de selo: um será o “Amigo
do Catador”, que estará à venda pela quantia
de R$ 5 (cinco reais), e outro “Empresa
Amiga do Catador”, com o qual empresas
poderão aderir à causa e estipular os preços
que irão adquirir os selos.
Catadores
pretendiam fazer um protesto para serem
ouvidos
Depois de várias tentativas para conseguir
apoio do poder publico municipal, os
catadores decidiram fazer uma grande
manifestação para serem ouvidos pela
sociedade. “Eles nos procuraram com a
intenção de fazer uma manifestação para ir
aos órgãos públicos e conseguir os materiais
de trabalho. A Noolhar pensou antes de fazer
o protesto e elaborou uma campanha que
abraçasse a causa da categoria”, comenta
Patrícia.
Segundo a coordenadora da ONG, o desafio
maior dos catadores era a articulação e a
organização entre a categoria. “Temos que
resolver o problema independente da questão
política. Assim como o a Noolhar, eles
também querem solucionar o problema que é o
lixo”, ressalta. “Até hoje nunca vi um
projeto em Belém que completasse a coleta
seletiva, acabando com o acumulo de lixo.
Sabemos que temos esse sério problema na
nossa cidade”, completa.
O
momento agora é de buscar parceiros para
imprimir os selos e donos de lojas para
revender. A idéia da Noolhar é fazer uma
pequena caixa de acrílico na qual a pessoa
pode depositar a quantia em dinheiro
referente ao selo (R$ 5), e comprar o
adesivo. “Essa caixinha pode estar em
qualquer lugar, até em órgãos públicos”,
diz. A prestação de contas vai ser
disponibilizada no site da Noolhar, como
também todos os pontos de venda do selo.
Lixo não é mais lixo!
A
Associação dos Recicladores das Águas Lindas
(Aral), ligada a Central Unida de Catadores,
conta hoje com 73 catadores de materiais
recicláveis, como gostam de ser chamados.
Eles se dividem em grupos de trabalho
atuando na comunidade onde moram, recolhendo
materiais de porta em porta, indo até órgãos
públicos que desperdiçam grande quantidade
de material reciclável como papel e papelão,
e por fim, nas ruas do centro comercial da
capital.
“Cada grupo
estipula os seus dias e horários de
trabalho. Eles recolhem papel, plástico
e ferro, e lixo tecnológico também”, diz
o presidente da Aral, Marcelo Rocha. Ele
conta que até óleo lubrificante de
maquinas e óleo de cozinha, também são
recolhidos pelos catadores. “Lixo não é
mais lixo. Hoje tudo pode ser
reciclado”, garante.
Os catadores
vendem o material para uma empresa de Belém,
de apenas duas que existem na cidade e
compram material reciclável.
O óleo de maquinas chega a ir para a cidade
de São Paulo, pneus, para a cidade de
Fortaleza. “O plástico fica em Belém. Outra
grande parte do material reciclável vai para
o Maranhão”, revela Marcelo sobre o destino
dos materiais que serão reciclados.
O quilo do
papel misto custa R$ 0,10, a tonelada
sai por R$ 100. No quilo do papelão, os
catadores ganham R$ 0,07, ou R$ 70 pela
tonelada. Já o papel branco é o mais
caro. Os catadores recebem R$ 0,16 o
quilo, lucrando R$ 160,00 a tonelada. A
latinha de alumínio hoje custa R$ 1,00 o
quilo.
Segundo Marcelo, os valores variam muito
durante os meses e até semanas. “Esses
valores variam de acordo com a demanda. Tem
gente que ganha mais porque tem contato com
empresas que geram bastante lixo
reciclável”, comenta. A média mensal de
renda de Marcelo é de R$ 350, menos do que
um salário mínimo que hoje está em R$ 550.
“Queremos
conseguir um caminhão para coletar o
material. Hoje pagamos a diária de um
carro e está gerando muito gastos.
Levamos tudo para o nosso centro de
triagem”, diz Marcelo. Ele é catador há
28 anos e espera que desta vez, com o
apoio da ONG Noolhar, seu trabalho seja
reconhecido pela sociedade. “A nossa
expectativa é que a sociedade participe
com a gente do nosso trabalho. Não
existem hoje políticas públicas para a
coleta seletiva do lixo. Quando houver,
a discussão sobre o assunto vai melhorar
na sociedade e teremos um melhor
entendimento sobre os problemas
ambientais de Belém”, finaliza Marcelo.
Serviço:
Mais
informações sobre ponto de venda dos
selos na ONG Noolhar, pelo telefone:
3222-2277
Jornal Amazônia -
16/05/2010