Chavinho, o tucano resgatado em Chaves no Marajó

O Mangal das Garças tem um novo morador. Ele se chama Chaves Marajó, ou Chavinho, como foi apelidado carinhosamente. O tucano bico preto de apenas dois meses de idade foi resgatado pela ONG Noolhar enquanto era realizado um trabalho de educação ambiental no município de Chaves, no arquipélago do Marajó, a convite da Secretaria de Meio Ambiente local. Em uma caminhada pela cidade, Chavinho estava com as penas cortadas na calçada de uma casa se alimentando com pão.
O tucano Chavinho foi resgatado para receber cuidados médicos e, assim que recuperado, poder voltar a sua casa: a natureza. Ele viajou de Chaves para Belém de avião com uma autorização da secretaria de meio ambiente da cidade. Já em Belém, a ONG Noolhar o encaminhou ao Ibama para que o pássaro fosse legalizado e doado ao Mangal das Garças.

Lá no Mangal, Chavinho vai ficar em quarentena. Ele vai passar por exames para saber qual o seu real estado de saúde, mas já entrou em dieta e está comendo apenas frutas, seu cardápio preferido. Para ganhar força mais rápido, o filhote de tucano também está se alimentando com ração própria para esse tipo de ave.  “Os próximos 40 dias ele deve ficar isolado. É um período de adaptação. Ele vai ficar em observação", diz a médica veterinária do Mangal das Garças, Áurea Linhares.



O tucano Chavinho vai fazer companhia para outros cinco tucanos que moram no Mangal. Dois são tucanos do peito branco e três são araçari. Um deles é chamado de Zequinha. Ele chegou no Mangal sem penas e não sabia nem comer. “Quando habitado ao convívio humano, eles se tornam muito dócil, por isso as pessoas gostam de ter estes animais silvestres em casa, infelizmente”, diz Áurea.
 
Lugar de animal silvestre é na natureza
“Costumo dizer que a natureza é tão exuberante na Amazônia que basta você abrir a janela da sua casa para contemplar”, diz a coordenadora da ONG Noolhar, Patrícia Gonçalves. Ela conta que os pássaros no meio ambiente assumem a função de dispersores de sementes. “A função dos pássaros na natureza é de florestar. Quando a gente prende ele em casa, esse animal já não vai estar na natureza fazendo isso”, afirma. O tucano, por exemplo, adora o açaí. “Então ele já ajuda a proliferar o açaí na floresta”, conta.
Ela ressalta que as crianças devem contemplar os animais no meio ambiente e aprender que esta é a casa onde vivem. Para Patrícia, é bem mais bonito ver um pássaro na natureza do que dentro de uma gaiola em uma casa ou apartamento. A plumagem fica feia, as garras atrofiam, ele não desenvolve dentro da gaiola. “Se você cortar as penas dele, ele perde a sua habilidade que é voar. Um tucano na natureza é totalmente diferente de um tucano que vive preso”, diz a ambientalista.

O pequeno tucano foi batizado de Chaves Marajó, o “Chavinho”, em homenagem ao município marajoara de Chaves, onde ele foi encontrado. Chavinho virou mascote da cidade e do Coletivo Jovem de Chaves, um grupo de adolescentes que trabalha em prol da comunidade realizando ações sociais na cidade. Os jovens agora já vão produzir camisas com o desenho do pequeno tucano para o grupo.

O tucano bico preto.
O Tucano bico preto tem cinco subespécies e a espécie de Chavinho é a ranphastos vitellinos ariel. Suas característica são determinadas de acordo com o tipo de penas que está na sua cabeça. Este tipo de tucano tem mais ocorrência na America do Sul. Ele mora em todo o Brasil, mas em algumas regiões ele já está em extinção, como no sudeste do país, mais precisamente no estado de São Paulo. Chavinho prefere áreas de floresta fechada para viver, por isso o seu espaço é bem limitado. Justamente por ele precisar de uma floresta mais densa para sobreviver, ele não existe mais em São Paulo. O Chavinho é um animal onívoro, come frutas e pequenos insetos. Na natureza ele se reúne em pequenos grupos até para dormir.

 
 
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