Entidade divulga trabalho socioambiental e confecciona bolsas com material de comunicação visual

Já imaginou o que daria para fazer com 400 banners que, teoricamente, não possuem mais utilidade em uma grande instituição? A organização não governamental ambiental Noolhar produz bolsas ecologicamente corretas com esse material. A entidade é parceira da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em uma campanha de reaproveitamento dos banners produzidos em sete unidades da Embrapa no Estado, incluindo o núcleo principal de pesquisas, que fica em Belém.

A estilização e produção das bolsas ficam por conta da Noolhar. A coordenadora da ONG, Patrícia Gonçalves, revela que o material utilizado para fabricar os banners é muito resistente e, se jogado na natureza, demoraria no mínimo 100 anos para se decompor. Trata-se do PVC, um plástico altamente durável. 'O que antes seria jogado em aterros e levaria um período grande para se decompor, agora vai virar bolsas, ecobags. É um processo de consciência, criatividade e atitude', afirma Patrícia.

De acordo com o supervisor de negócios e tecnologia da Embrapa, Vladimir Souza, a ideia da campanha surgiu após constatarem a grande quantidade de banners que estavam subutilizados na empresa e que não teriam destino algum, a não ser o lixo. 'Foi então que criamos a campanha para recolher todos os banners das unidades da Embrapa no Estado e dar uma destinação ecologicamente correta para eles', conta.

Além do reaproveitamento dos materiais de divulgação, a Embrapa ainda previu a conscientização ambiental dos funcionários. Todos, segundo Vladimir, estão envolvidos com o recolhimento e seleção dos banners. As bolsas produzidas pela Noolhar farão parte do presente de fim de ano dos mais de 500 colaboradores da empresa no Pará. Para o supervisor de negócios e tecnologia, uma boa oportunidade de levarem a lição do reaproveitamento para qualquer lugar.

Reciclar mentes é o objetivo das ações

Reutilizar é um dos objetivos do conceito dos '3 Rs', além de reduzir e reciclar, e vem sendo difundido em prol da sustentabilidade. A ONG Noolhar, que trabalha no combate ao desperdício, busca desenvolver este conceito em produtos e serviços. Patrícia Gonçalves conta que o fruto desse trabalho, geralmente, é visto em eventos empresariais e institucionais sediados em Belém.

Recentemente, a ONG produziu bloquinhos de papel, canetas e pastas para dois eventos da Embrapa. Um deles foi o Congresso Nacional de Feijão-Caupi, realizado há poucas semanas em um hotel da capital. Lá, a Noolhar expôs aos participantes os produtos e objetos feitos a partir de materiais reciclados, como garrafas pet e papel.

Vladimir Souza diz que a Embrapa abre espaço para a ONG mostrar o seu trabalho, pois acredita no potencial de conscientização repassado por meio dos produtos e atividades desenvolvidos pela Noolhar. 'Precisamos de exemplos como o da Noolhar, de responsabilidade socioambiental e cultural. Temos que reciclar o nosso cotidiano com iniciativas como essas, de reaproveitamento, reciclando inclusive as nossas mentes', acredita. Segundo o supervisor, o trabalho realizado pela ONG ganha ainda mais apelo por se estar na Amazônia e com a responsabilidade de preservar a rica natureza da região.

Cada vez mais empresas se preocupam em preservar o verde

Em função da necessidade de se trabalhar a conscientização ambiental, a Embrapa passou então a fazer parcerias com associações e ONGs, como a Noolhar. Segundo a coordenadora da ONG, Patrícia Gonçalves, é crescente o número de empresas e instituições que cada vez mais se preocupam com o meio ambiente. 'Dessa forma, esperamos gerar uma articulação social ainda maior na conservação e nas práticas ambientais', revela.

Vladimir diz que atitudes assim estão se refletindo em todas as áreas da Embrapa, desde campanhas internas, como a que está recolhendo os banners de PVC, até eventos externos, que passaram a utilizar material reciclado e/ou reaproveitado, a exemplo dos bloquinhos, canetas e pastas feitos pela Noolhar.

Há pouco tempo também foi inaugurado um novo núcleo na empresa, o de Responsabilidade Socioambiental (Nures), que tem por base conceitos de economia solidária e comunitária, além do foco na preservação da natureza. O Nures promove atividades de capacitação em oito comunidades carentes e tem como um de seus objetivos a formação de multiplicadores socioambientais.

A infraestrutura do Nures engloba uma baia de segregação de materiais e uma sala de reciclagem, além de um horto medicinal. As plantas medicinais cultivadas e o material reciclado geram produtos finais com procedência reconhecida e qualidade que revertem em benefício das comunidades parceiras.

Os próprios empregados da Embrapa se beneficiam com essa conscientização. 'Os colegas participam cada vez mais da coleta seletiva de lixo implantada na instituição há dois anos, um trabalho hoje feito em parceria com a Associação dos Recicladores das Águas Lindas (Aral)', explica Augusto César Andrade, responsável técnico do Nures. Segundo ele, a ideia é justamente envolver todos os colaboradores e fazer com que pensem, por exemplo, no reaproveitamento de materiais que são descartados durante o expediente trabalho.

 

Fonte: ORM

 
 
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