No Dia da Amazônia, que foi comemorado no último
dia 5 de setembro, a Noolhar inovou em conceito
de montagem em evento: criou um espaço com 30
mil garrafas pet para a secretaria do 64º
Congresso da Sociedade Brasileira de
Dermatologia (SBD). O material, que normalmente
iria para o lixo, teve reaproveitamento adequado
no evento. Além de ecologicamente correto, o
espaço chamou a atenção dos participantes do
congresso pela beleza.
Com a missão de contribuir para o
desenvolvimento sustentável da região Amazônica,
a Noolhar investiu em campanhas de doação,
divulgadas inclusive no jornal Amazônia,
e contou com a colaboração de centenas de
pessoas que aderiram à causa e desenvolveram um
novo uso para suas garrafas pet. 'Esse material
antes era descartado de forma incorreta,
entupindo canais, poluindo os rios e a cidade,
gerando impacto ambiental de forma desastrosa.
Mas a população já começa a perceber que dá para
fazer muita coisa com esse tipo de material',
destacou a coordenadora da Noolhar, Patrícia
Gonçalves.

O evento que discutiu o futuro da dermatologia,
que reuniu cerca de 3 mil congressistas, foi um
importante aliado nessa luta por educação
ambiental, com reaproveitamento de materiais e
geração de renda para populações carentes. O
congresso foi realizado no Hangar Centro de
Convenções e Feiras da Amazônia entre os dias 5
e 9 de setembro.
Os participantes do congresso também receberam
bolsas feitas de garrafas pet, pasta em couro
ecológico e outros itens feitos com materiais
reciclados. Além disso, foram confeccionados
pela Noolhar 25 coletores de lixo feitos de
placa de creme dental, que foram espalhados no
local do evento para a separação do lixo,
promovendo a coleta seletiva. O material
depositado nos recipientes foi coletado pela
Associação de Catadores de Materiais Recicláveis
de Belém, que dará o destino adequado a ele.
'Estes coletores produzidos pela Noolhar foram
doados para a cooperativa após o evento,
possibilitando a continuidade do trabalho por
parte da cooperativa', destacou Patrícia. As
mesas onde ficaram os computadores e os
pedestais para fotos também foram confeccionados
com placas feitas com tubos de creme dental.
Além disso, os já tradicionais puffs feitos a
partir do reaproveitamento de garrafas pet
compuseram a decoração do ambiente do evento.

Percepção ambiental envolveu o evento
A coordenadora da Noolhar, Patrícia Gonçalves,
lembra que a educação ambiental e o meio
ambiente não se resumem em um único lugar, mas
são um processo contínuo. 'Por isso, a percepção
ambiental esteve inserida em todos os âmbitos do
evento, desde o material entregue para os
congressistas, a secretaria do evento, os
guichês de informação, as mesas dos computadores
e até as lixeiras, todas elas ecologicamente
corretas. Por meio desse gesto os participantes
se conscientizaram da importância da preservação
ambiental, principalmente, o aquecimento global
que afeta a Amazônia e o mundo. Dessa forma foi
inserida a educação ambiental', destaca
Gonçalves.
Já para a coordenadora das ações de
responsabilidade social do congresso, Rosemary
Goés, a parceria com a Noolhar mostra o
compromisso da área médica com a preservação
ambiental. 'Um evento da magnitude do 64º
Congresso da SBD necessita impactar a
sustentabilidade ambiental, é fundamental para a
qualidade de vida da população, e o congresso
tem compromisso com esta tese', revela Rosemary
Góes.
O painel que ilustrou a secretaria do congresso
da Sociedade Brasileira de Dermatologia foi
totalmente reaproveitável, utilizando
aproximadamente 30 mil garrafas pet. Um total de
15 trabalhadores atuaram diretamente na
confecção durante, quase 2 meses.
Parcerias com empresas, como a Compar, que
contribuiu com a doação de garrafas pet
utilizadas no painel e também a compra das
garrafas plásticas das cooperativas de catadores,
como a Associação de Trabalhadores de Matérias
Recicláveis da Pedreira (Astramaparepe) e a
Associação de Catadores de Materiais Recicláveis
de Belém, devem ser destacadas, segundo Patrícia.
Além disso, ela destaca as doações recebidas por
voluntários e transeuntes que passam pela rua da
sede da Noolhar, que também foram fundamentais
para que o trabalho fosse realizado e fosse
realizada a coleta seletiva.
Jovens ouviram palestras sobre a importância da
preservação
Os coordenadores de campanhas, Marcos Wilson, e
de Juventude, Michel Malcher, da Noolhar, junto
com a coordenadoria do congresso e alguns
parceiros, trabalharam juntos para a
conscientização ambiental mesmo antes de o
evento ser iniciado. Foram realizadas palestras
com jovens de comunidades de Belém sobre a
importância da preservação ambiental.
Marcos Wilson destacou, na ocasião, a
valorização profissional dos jovens da República
de Emaús. 'Essa palestra foi motivadora.
Estimulou os jovens do movimento a se
conscientizaram sobre a importância da
reciclagem e do reaproveitamento do material.
Além disso, essa é uma oportunidade ímpar que
eles estão recebendo para participar da equipe
de recepção do evento, pois muitos desses jovens
continuarão trabalhando nos futuros eventos que
o Hangar realizará', enfatizou Wilson.
Para a coordenadora da Noolhar, Patrícia
Gonçalves, o evento trouxe oportunidades na
geração de emprego e renda para a região,
valorizando os trabalhadores locais e expandindo
a cultura regional. 'As pessoas que trabalharam
neste projeto de confecção de produtos
ecologicamente corretos são de comunidades de
Belém e Ananindeua. Elas já são voluntárias na
Noolhar e sempre que se tem um projeto de
confecção de produtos, elas são convidadas a
conhecer e a participar nas mais diversas áreas,
como costura, artes plásticas, entre outros',
afirma Patrícia.
Segundo a coordenadora, as máquinas utilizadas
para o corte dos fundos das garrafas pets foram
feitas de forma artesanal, valorizando a mão de
obra local e promovendo o equilíbrio ambiental,
pois as máquinas não consomem energia elétrica.
Ela destaca também o benefício que o congresso
da Sociedade Brasileira de Dermatologia teve em
Belém e nos municípios vizinhos. 'Durante muitos
anos, os vários eventos que foram realizados em
Belém não se preocupavam com a relação
homem-natureza. Mas percebemos que, agora, isso
vem mudando', disse Patrícia.