Pastas de Notebook são produzidas com capas de bancos de carro.

O ecoproduto foi idealizado pela ONG Noolhar depois de receber doação da matéria prima.

Quem poderia imaginar que capas de banco de carro poderiam se transformar em pastas e capas de proteção para Notebook? Isso é o que a ONG Noolhar vem realizando depois de receber a doação de cerca de mil peças de banco de carros 0km de uma concessionária de veículos. A empresa, que realiza a troca de capas de tecido para de couro animal, de acordo com os desejos dos clientes, não sabia o que fazer com a grande quantidade de tecido ainda novo, e guardava o material procurando um destino.

“Vimos que poderíamos transformar as capas dos bancos em produtos”, diz Patrícia Gonçalves, coordenadora da ONG Noolhar. Ela conta que ficou bastante satisfeita com a iniciativa da empresa que segundo ela, possui uma ótima gestão ambiental. “Quando a organização tem uma gestão ambiental, eles saem ganhando. Podem transformar o que acham ser resíduos descartáveis, em produtos novos para eles”, ressalta.

Patrícia conta ainda que  material novo retirado dos carros estava sem destino. “Agora, nós temos um ecoproduto, que são oriundos de matérias primas reaproveitáveis e isso não compromete a qualidade do produto”, garante. Neste caso, a matéria prima é reaproveitada. “Se eu fosse comprar a matéria prima para produzir estas pastas e bolsas, seria muito mais caro. Usamos materiais reaproveitáveis para criar”, completa Marcos Wilson, presidente da ONG.

Ele dá exemplos de diversas outras empresas que assumiram a gestão ambiental e passaram a transformar resíduos que seriam descartáveis, em matéria prima para a confecção de novos produtos. Como é o caso da Petrobrás, a Sol Informática e o Sebrae, que doam para a Noolhar banners de anúncios que são transformados depois em bolsas, sacolas e até mochilas.

“Empresas já procuram a ONG para ter noções de gestão ambiental e trabalham em parceria. Temos uma equipe para montar projetos para a empresa e torná-la ecoeficiente. A empresa que doou suas capas de bancos de carro sabe do papel sócio ambiental dela perante a sociedade que atuam”, ressalta Patrícia. A Noolhar procura agora empresas que queiram ser parceiras para vender os ecoprodutos. “A ONG se sustenta a partir da venda destes ecoprodutos e o principal, que é gerar renda para as comunidades ligadas à ONG que produzem os produtos”, afirma.

  

A Gestão Ambiental e os Empregos Verdes

Gestores visionários e empresários que buscam uma “grande sacada” podem estar reavaliando em seu meio empresarial um novo conceito de gestão: a Gestão Ambiental. “É um conceito pouco difundido, será em pouco tempo uma adequação obrigatória no mundo corporativo”, é o que garante a contadora Hilda Cruz. Ela acredita que esta logística reversa irá gerar uma nova oportunidade de emprego, os Empregos Verdes, como definido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Uma economia com baixo consumo de carbono e trabalho decente em empresas sustentáveis”, descreve. .Algumas empresas em Belém já assumiram uma postura pró-ativa, e em parceria com a Noolhar decidiram não incinerar seus resíduos e estão em processo de avaliação para a implantação da Logística Reversa.

O Projeto de Lei de Resíduo Sólidos, no Art. 8° inciso XII define sobre Logística Reversa o seguinte: “é o instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizada por um conjunto de ações, procedimentos e meios, destinados a facilitar a coleta e a restituição dos resíduos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos, na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, visando a não geração de rejeitos”.

Liandro Brito
Assessor de Imprensa
ONG NOOLHAR

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