ONG Noolhar atua em conscientização com
pescadores regionais para preservar o
habitat dos peixe
Pensando nesta reflexão e
buscando o equilíbrio entre homem e
natureza, o projeto PRO-PIRÁ de educação
ambiental aquática, que tem o apoio da
NOOLHAR, socializa a educação ambiental.
O projeto tem como objetivo fundamental
à defesa do ambiente aquático da
Amazônia através de diversas oficinas
direcionadas principalmente para
crianças e adolescentes, conscientizando
sobre a importância do uso responsável
de recursos hídricos que estão cada vez
mais ameaçados pela ação predatória do
homem.
Para preservar este
trabalho e principalmente a natureza, a
ONG NOOLHAR faz um alerta sobre a pesca
predatória. “Sem consciência ambiental e
sem licença para a pesca, a poluição das
águas, a vida dos peixes e
conseqüentemente a dos pescadores, estão
em risco, e claro a subsistência destes
homens”, diz Patrícia Gonçalves,
coordenadora da ONG.

Segundo médico
veterinário Kenji Oikawa, em
diversos eventos que participa, é
unanime a opinião de que há uma
diminuição dos estoques pesqueiros da
natureza. Kenji possui especialização
em piscicultura de água doce e atua há
mais de 30 anos nas áreas de pesca e
aquicultura, conhecendo de perto a
realidade de nosso Estado.
Ele conta que durante uma
visita ao município de Ajuruteua,
pescadores contaram que pretendem criar
peixes, pois a pescaria tradicional está
difícil a cada dia. “Um deles me contou
que há dias em que a pesca não dá nem
para o consumo próprio de suas famílias
e que o mar está cheio de grandes redes
de pescaria, o que espanta os cardumes
de peixe”, disse Kenji.
Nos últimos 12 anos,
Oikawa se dedica também na educação
ambiental aquática para crianças e
adolescentes das escolas públicas do
município de Inhangapí. Ele
ministra cursos de piscicultura em
municípios paraenses como Bragança,
Vigia, Santarém, Monte Alegre, Curuçá,
Marapanim, Cametá e Abaetetuba, além do
Marajó.

A pesca predatória já
extinguiu algumas espécies de peixes
Denominações de algumas
comunidades do interior do Estado, como
Pacuquara, em Castanhal e Pacujutá, em
São Sebastião da Boa Vista, são nomes
originados do prefixo “pacu”, um peixe
redondo, onívoro
(espécies que consomem ao mesmo
tempo alimentos de origem animal e
vegetal), que
na sua fase adulta se alimenta de frutas
das várzeas, muito comum na região
amazônica. Esses peixes existiam em
grandes quantidades nos igarapés e rios
dessas localidades, mas hoje as
populações mais jovens dessas
comunidades desconhecem esses peixes
pela ausência.
Segundo Kenji Oikawa, as
principais causas da diminuição ou mesmo
até do desaparecimento de determinadas
espécies de peixes são: a pesca
predatória (prática proibida); a
poluição, causada pelo crescimento
desordenado dos centros urbanos e pelas
indústrias; a construção de barragens
que impedem a migração dos peixes
reofílicos (peixes de piracema); os
desmatamentos, fundamentalmente das
matas ciliares (margens dos rios,
igarapés, lagos, etc.), que além de
destruir o habitat dos animais
aquáticos, particularmente dos peixes,
acabam com as árvores frutíferas como
catauarí, cajurana, socoró, etc, que
servem de alimento aos peixes, caso das
espécies redondas como o tambaqui, pacu
e a pirapitinga.
“Esses desastres acabam
afetando indiretamente as espécies
nobres, com valor comercial, como a
pescada, o filhote, a gurijuba, etc, e
em particular o nosso famoso pirarucu,
que está no topo da cadeia alimentar”,
diz o médico veterinário. “Portanto, é
de fundamental importância a preservação
dos recursos naturais da Amazônia,
fundamentalmente das águas e das
florestas”, ressalta.
A participação dos
pescadores na proteção do ambiente
Patrícia Gomçalves
acredita que o pescador, que
teve seu dia comemorado no último dia 29
de junho, exerce
um papel primordial na preservação do
meio ambiente, pois conhece a magia
da natureza, os ciclos das águas,
alimenta suas família e ainda
comercializa o fruto do seu trabalho.
Como defensores, estão sempre buscando
alternativas para melhorar a vida em
suas localidades sem migração para os
grandes centros. “Toda manhã no mercado
de peixe do Ver-o-Peso, podemos
contemplar a beleza do trabalho árduo
destes bravos homens das marés e rios de
nossa região”, comenta.
FONTE - OPEN COMUNICAÇÃO