Brasil pode economizar cerca de R$ 8 bilhões por ano com reciclagem

De acordo com estudos, essa cifra poderá ser alcançada caso a sociedade brasileira recicle todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros sanitários

Se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros, o Brasil poderia economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Hoje, a economia gerada com a atividade de reciclagem varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anualmente. Os dados são de um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e foram apresentados aos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social, das Cidades e a Caixa Econômica Federal. 

O levantamento realizou a estimativa dos benefícios econômicos e ambientais da reciclagem. Para se chegar a este valor, foram utilizados 

alguns parâmetros como os custos evitados e os atuais da reciclagem, e os custos intrínsecos e econômicos da coleta seletiva. Segundo o ministério do Meio Ambiente, atualmente, apenas 14% da população brasileira conta com o serviço de coleta seletiva, e somente 3% dos resíduos sólidos urbanos gerados nas cidades são coletados nos municípios.

 

 

No Pará, a realidade não é diferente do restante do país. Belém produz 900 toneladas por dia de lixo domiciliar, um total de 27 mil toneladas por mês. Deste montante, catadores arrecadam apenas 100 toneladas por mês de materiais recicláveis, segundo dados da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan). Um valor quase que insignificante do total de lixo produzido ao mês.

 

Ainda segundo a Sesan, a coleta seletiva em Belém é realizada atualmente em dois bairros: Nazaré e Umarizal. Todo o material recolhido por catadores credenciados junto à secretaria é vendido para empresas que compram esse tipo de produto. 

 

Coleta seletiva em Belém ainda é escassa 

 

“Não existe números de coleta seletiva em Belém. O fato é que não existe coleta seletiva de lixo na nossa cidade. O que existe é a iniciativa de empresas e indústrias locais que destinam o seu material para a coleta”, desabafa Patrícia Gonçalves, da ONG Noolhar que trabalha em defesa do meio ambiente e que hoje apóia projetos voltados para a coleta seletiva de lixo.

 

“Hoje o grande problema é a gestão publica. O ideal é fazer um processo contínuo de conscientização para a comunidade e quem detém essa ferramenta é o poder público. A partir do momento que colocarmos um projeto nas empresas, escolas e ruas, a coleta funcionaria. Pode não parecer, mas temos uma parte na população que quer contribuir com o meio ambiente”, garante. Mas para a ambientalista, a responsabilidade não deveria ficar apenas com o poder público, mas com a população também. Ela conta que hoje em dia é cada vez mais comum as pessoas depositarem lixo e entulho nas ruas da cidade, o que pode ser visto por qualquer morador de Belém e em qualquer lugar que se percorra. “É comum vermos pessoas jogando lixo e entulhos na via pública. Ele está cometendo um crime. A população vê, e joga o lixo em cima também. Isso requer um sistema de conscientização e  fiscalização maior, o que não é realizado”, desabafa.

 

O lixo pode ser separado dentro de casa

 

Pode não parecer, mas separar materiais recicláveis dentro de casa e contribuir com o meio ambiente é muito mais simples do que se imagina. Patrícia, da Noolhar,  aconselha: “Você precisa de apenas duas lixeiras. Em uma você põe o lixo orgânico, como alimentos, e na outra se põe os resíduos sólidos”. O outro passo é entregar para um catador que passe na sua rua ou levar até algum Ponto de Entrega Voluntária (PEV).

 

O PEV é um projeto criado pela ONG Noolhar para motivar a população a coletar em casa e dar o destino certo aos materiais recicláveis. Mesmo se o material não for entregue em um PEV, o lixo chegará até o aterro do Aurá separado e será aproveitado por um catador então vamos separar . “É um absurdo nós termos que chegar a este ponto de separar e mandar para o lixão . A idéia é que o lixo nem chegue no lixão, mas como não temos coleta seletiva em nossa cidade, essa é uma das alternativas”, diz Patrícia

 

Mesmo atuando a vários anos em trabalhos de reciclagem, Patrícia afirma que ainda fica surpresa com a quantidade de materiais que podem ser reciclados. “É impressionante. O simples saco de arroz pode ser reciclado. 90% do que você produz em casa é resíduo sólido e material que pode ser reciclado”, garante.

 

Para dar continuidade ao trabalho, a Noolhar está em busca de parceiros para a produção e instalação dos PEV’s. “O ideal é que cada supermercado e posto de gasolina, locais que tenham bastante movimento e fácil acesso, tenham um PEV. É quando você vai sair para fazer alguma coisa na rua e aproveita e deixa o seu resíduo solido para a reciclagem”, sugere. “Hoje tudo se recicla. É um absurdo a quantidade do que pode ser reciclado e jogarmos fora”, ressalta.

 

Futuro incerto sem o destino adequado para o lixo

 

“Até quando vamos ser omissos a tantos problemas ambientas?”, questiona-se Patrícia. Ela enumera diversos problemas que as sociedades podem enfrentar no futuro se o lixo não tiver um destino adequado. “Será inviável conviver nas cidades; teremos um nível insustentável de vida; um ar totalmente pesado e contaminado; a contaminação das nossas águas e a perda da biodiversidade; mudanças climáticas; hoje Belém já está quente demais. Será impossível viver neste planeta desse jeito”, lamenta Patrícia ressaltando que a população além de contribuir com a coleta seletiva deve dizer não e cobrar do poder publico mudanças.

 

Dia 22 dia internacional da BIODIVERSIDADE

 

Ontem dia 22 foi comemorado o dia internacional da biodiversidade e para ampliar este debate já que 20010 foi instituído pela ONU o ano da biodiversidade a NOOLHAR irá realizar na feira do empreendedor atividades ressaltando a importância desta consciência para nossa região.

 

O termo biodiversidade serve para descrever a riqueza e variedade do mundo natural.Somos ricos em biodiversidade, mas tudo esta ameaçado por desmatamentos e degradação das florestas, caça predatória, queimadas, e biopirataria.Temos que repensar urgente nossos padrões de crescimento.

 

Serviço: A ONG Noolhar procura parceiros para a confecção e instalação dos PEV’s. Contatos através do número: 3222-2277

 
 
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