Evento discutiu soluções para o setor turístico da amazônia e destacou a sustentabilidade e investimentos

O turismo sustentável gera renda, emprego e não compromete a atividade das gerações futuras. Foi com essa afirmação que a coordenadora da ONG Noolhar iniciou sua fala durante uma mesa-redonda sobre o tema 'Turismo Sustentável na Amazônia'. O evento foi realizado na última quinta-feira, no Teatro Maria Silvia Nunes, na Estação das Docas.

O debate se iniciou com a palestra da professora e coordenadora do Grupo de Pesquisa de Geografia do Turismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), Maria Goretti Tavares, que destacou a importância do turismo e a necessidade de investimento público. 'O turismo pode configurar-se como um elemento estruturante e essencial da dinâmica territorial. Sem contar que possibilita a perspectiva de desenvolvimento durável', disse a professora. Porém, mesmo podendo ser uma ferramenta de desenvolvimento, ela alerta que nem sempre atrair visitantes pode promover uma mudança positiva socioeconômica do local. Por isso, ela considera que as políticas públicas a serem geradas para atrair investimentos e turistas devem contemplar as singularidades culturais e as complexidades sociais do lugar.

Goretti afirma também que desenvolver através do turismo nem sempre possibilita ações passivas ao meio ambiente. 'Desenvolvimento turístico nem sempre é sinônimo de desenvolvimento sustentável. Qualquer outra atividade gera impacto e o setor turístico não é diferente. A questão do turismo não tem como ficar passiva', alerta a professora. A professora destaca, ainda, que através do turismo milhões de empregos foram gerados no mundo. 'Contribui diretamente para o emprego de 200 milhões de pessoas no mundo', disse.
 

O presidente da Belemtur, Wady Kayath, alerta que para o sucesso e descentralização do potencial turístico tem que haver investimento nas diferenças de cada região. 'Investir nas diferenças turísticas é o sucesso da economia. Mas esse sucesso só vai ter êxito se tiver união entre os entes governamentais, como os governos estadual, municipal e a sociedade em geral, e usar os nossos recursos a favor do desenvolvimento turístico precisa desta união', disse Kayath.

Também participaram do debate o presidente da Organização Social Pará 2000, Jarbas Feitosa; representante da Paratur, Admilson Alcântara; o presidente da Convention e Visitors Bureau, Orlando Rodrigues, e a representante da ABAV, Tiana Menezes. Além disso, o evento contou com a presença de diversos acadêmicos de turismo e outros cursos ligados à questão ambiental.
Na oportunidade, a Noolhar, por meio da coordenadora Patrícia Gonçalves, presenteou a senadora Marina Silva com uma bolsa feita de garrafas Pet e uma caixinha com a coleção de bichos em extinção, todos feitos de Miriti, apresentando as iniciativas locais em prol do meio ambiente e nosso povo.

Jornalismo ambiental e os desafios da cobertura regional

Diversos profissionais e acadêmicos de comunicação estiveram presentes no seminário 'Jornalismo Ambiental: os desafios da Amazônia'. A Noolhar também marcou presença no evento, com o coordenador de Juventude, Michel Malcher, de 18 anos, que destacou a importância da valorização da região. 'A valorização da Amazônia está cada vez mais sendo discutida nos diversos âmbitos e esse seminário destaca essa participação e estimula os jovens acadêmicos sobre o futuro da nossa região e do nosso país. A Noolhar tem essa preocupação e é por isso que estamos participando e relatando tudo o que está ocorrendo aqui, pois assim estaremos contribuindo para o desenvolvimento da Amazônia', destacou o coordenador.

A senadora Marina Silva, palestrante do evento, iniciou falando sobre os problemas ambientais e qual a maneira de driblá-los. 'Temos 165 mil quilômetros quadrados de área devastada que estão abandonadas ou semi-abandonadas. Os pesquisadores dizem que se nós utilizarmos essas áreas corretamente, podemos dobrar nossa produção sem destruir nossas florestas', destacou a senadora. 'Boa parte das respostas técnicas para resolver os problemas do aquecimento global e da Amazônia nós já temos, o que nos falta é o compromisso ético de colocar todas as nossas técnicas, todo o nosso conhecimento à disposição das decisões já tomadas. Infelizmente o que tem acontecido é tratar a questão ambiental em oposição ao desenvolvimento, porém meio ambiente não se opõe ao desenvolvimento econômico e social, meio ambiente deve ser integrado como parte de nós', alerta a senadora.
A senadora também falou sobre os muitos desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia. 'Tem tanto a ver com a realidade da nossa Amazônia, mas nós temos que pensar o desenvolvimento não apenas visando ao crescimento; o desenvolvimento sustentável pressupõe várias dimensões: a dimensão econômica, afinal de contas nós precisamos dos meios materiais para poder sobreviver, mas é preciso possibilitar a distribuição da riqueza do Brasil para que as pessoas possam viver com dignidade e que todos possam desenvolver suas potencialidades. Acima de tudo o que nos faz sermos o que somos são os valores culturais das nossas raízes', concluiu Marina Silva.

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